SUCESSÃO NAS EMPRESAS FAMILIARES
*50% das empresas familiares desaparecem na segunda geração
*15% sobrevivem à terceira geração
Roberto Morales, especialista em empresas familiares, esteve hoje em Braga, a convite do BIC-Minho – Oficina da Inovação SA, para falar a cerca de duas dezenas de empresários da região do Minho sobre a importância de planear atempadamente o processo de sucessão, evitando assim a mortalidade de muitas empresas familiares, que actualmente representam cerca de 90% do tecido empresarial do Minho.
Com efeito, segundo aquele responsável, “50% das empresas familiares desaparecem na segunda geração, sendo que apenas 15% sobrevivem à terceira”, razão pela qual importa “encarar o processo de sucessão com naturalidade, planeando-o atempadamente e de forma profissional”. Questionados sobre a sucessão nas respectivas empresas familiares, nenhum dos empresários presentes afirmou ter actualmente em curso qualquer processo de transmissão geracional, situação que confirma o carácter “tabu” e o desconforto que, muitas vezes, esta matéria encerra.
Roberto Morales considerou ainda que o processo de sucesso assenta em três áreas-chave – o planeamento, a comunicação e a profissionalização -, factores fundamentais para se garantir uma transmissão tranquila, transparente, equilibrada e essencialmente vocacionada para o interesse da empresa, contribuindo assim para a “estabilidade e a continuidade destas empresas”.
Entre dicas, recomendações e conselhos, Morales frisou também a necessidade de se elaborarem protocolos familiares que ordenem o processo de gestão interno, a gestão de desavenças familiares, a profissionalização e a definição de uma estratégia empresarial.
A necessidade de mudar mentalidades e de atenuar a elevada taxa de mortalidade das empresas familiares são algumas das razões que estimulam o BIC-Minho a orientar a sua actividade também para esta vertente. Com efeito, o BIC-Minho tem promovido ao longo dos últimos anos várias sessões e workshops de sensibilização, tendo no ano passado lançado o estudo “Gestão e Sucessão de Empresas Familiares – Guia de Boas Práticas e Estudo de Casos”, que, tendo como base a análise de casos, se destina a esclarecer as empresas familiares sobre os principais problemas a que estão sujeitas, assim como a fornecer orientações relativamente à sobrevivência e à competitividade no mercado.
Como Leonardo Silva, presidente do BIC-Minho, sublinhou, “a preocupação pelas problemáticas que envolvem empresas familiares, nomeadamente a nível da sucessão, de falta de clareza nos processos, de confusão entre os laços de afecto e os laços contratuais, de receios quanto a possível alienação a novos proprietários e de grande resistência à mudança são, de resto, um dos principais eixos de intervenção do BIC-Minho”. Para o presidente do BIC-Minho, as empresas familiares detêm um triplo valor “ são fundamentais para a coesão social, para a geração de emprego e apresentam uma maior capacidade para aderir à inovação”, razões mais que suficientes para merecerem uma atenção redobrada por parte da instituição.
Registe-se que, no próximo dia 29 de Fevereiro, realiza-se na Pousada de Santa Luzia, em Viana do Castelo, mais uma sessão dedicada às empresas familiares, durante a qual Roberto Morales abordará especificamente o tema do “protocolo familiar”.