As mutações demográficas e o envelhecimento activo da população estão actualmente a ser alvo de um projecto da UE pioneiro, no qual o BIC-Minho é o único parceiro português.
Direccionado para a euro-região Norte de Portugal-Galiza e Itália, o “Chronos” foi ontem apresentado publicamente, em Pontevedra, onde Victor Sá Carneiro, director-geral do BIC-Minho e também vice-presidente da Associação de BICs Europeus (EBN), salientou a importância deste projecto, que coloca na agenda do dia a problemática do envelhecimento da população activa, uma tendência que está a alterar significativamente a estrutura existente que aponta para uma taxa da população activa superior à não activa.
Perante os indicadores da ONU que apontam para um envelhecimento demasiado acelerado da população activa (de acordo com elementos do INE, nos próximos 25 anos o número de idosos poderá mais do que duplicar o número de jovens), aliado às baixas taxas de natalidade e a alguns factores de risco, importa, segundo Victor Sá Carneiro, “encontrar alternativas e soluções, que permitam antecipar os problemas demográficos e prolongar a permanência da população nos seus postos de trabalho”.
Francamente empenhado em desenvolver uma estratégia de empreendedorismo de inclusão social, o BIC-Minho - e a própria Associação de BIC’s Portugueses, de que Victor Sá Carneiro é também o presidente -, participa activamente neste projecto estando directamente envolvido, entre outras actividades, no Observatório de Emprego, no programa spin-offs do Chronos, na elaboração de um guia de boas práticas e na dinamização de spin-offs empresariais. È precisamente na temática do empreendedorismo que Victor Sá Carneiro coloca a tónica: “segundo indicadores oficiais a faixa etária superior aos 50 anos e com menos formação, com especial incidência no público feminino, são aqueles que se debatem com maiores problemas na inserção da vida activa, razão pela qual o BIC-Minho defende com actualidade e persistência a necessidade de o empreendedorismo se tornar uma ferramenta indispensável a nível social e da inclusão social”.
Na sua intervenção o director-geral do BIC-Minho chamou ainda a atenção para a urgência e a necessidade de “entidades públicas e privadas, dirigentes, empresários e trabalhadores convergirem na procura de soluções para encontrar formas saudáveis de prolongar a vida activa, em condições que beneficiam ambas as partes”, uma vez que “o know how, a experiência e o enriquecimento profissionais não podem ser desperdiçados”. Para Victor Sá Carneiro é inequívoco que “este projecto, apoiado pelo Fundo Social Europeu, deverá ter sequência no sentido de serem replicadas experiências já existentes e de se desenvolverem novas e inovadoras soluções que permitam que o aumento da longevidade seja um factor positivo e não um factor de empobrecimento das pessoas”.
A participação da Oficina da Inovação no evento de apresentação do Chronos contou ainda com a presença de Lourenço Ribeiro, gestor e coordenador de projectos do BIC-Minho, no painel sobre as mutações demográficas, que, à semelhança dos parceiros estrangeiros, apresentou uma caracterização da estrutura demográfica de Portugal, designadamente do Norte do país.
Registe-se que o objectivo principal do Chronos é o de incentivar as administrações públicas, os empresários e os sindicatos a antecipar os problemas demográficos, conservando o emprego dos trabalhadores com mais de 55 anos, mercê de um acordo que terá um carácter global inovador e um efeito multiplicador fundamental devido à sua transferibilidade, tanto nos territórios vinculados ao projecto como em qualquer outra região da União.
Para as entidades promotoras daquele projecto da União Europeia, este objectivo só será conseguido através da concertação, da participação e da observação proactiva.
No âmbito do projecto estão também previstos a criação de um fórum de diálogo em que estejam representados os agentes sociais, em ordem à formulação de propostas e de estratégias para a reintegração dos trabalhadores, o desenvolvimento de novos métodos de formação destes trabalhadores através das tecnologias de informação e de comunicação, a elaboração de um catálogo com modalidades alternativas de trabalho nas empresas e a sensibilização para modificar a atitude tanto dos trabalhadores como dos empregadores.